terça-feira, 28 de maio de 2013

TRATAMENTO DO HIPERADRENOCORTICISMO CANINO - PARTE 2

Autor: Michael E. Herrtage, MA, DVSc, DVR, DVD, DSAM, DECVIM, DECVDI, MRCVS

Department of Veterinary Medicine, University of Cambridge ; Cambridge, UK. 


Tratamento do hiperadrenocorticismo hipófise dependente com mitotano:

Durante as pesquisas sobre o seu emprego como inseticida, foi descoberto que o mitotano possuía efeitos adrenocorticolíticos. Destrói seletivamente as zonas fasciculata e reticulata e preserva a zona glomerulosa da adrenal. 

O autor prefere hospitalizar o paciente para a etapa inicial do tratamento, apesar de muitos clínicos possuírem proprietários dedicados que seguem as orientações para a adequada monitoração.

Mitotano é administrado via oral, 50mg/kg/dia junto com a refeição. Se o paciente estiver em casa, o clínico deve fornecer alguns comprimidos de prednisolona ao proprietário.

A terapia diária com mitotano deve continuar até que alguma dessas mudanças ocorra: a ingestão de água diminua para menos de 60ml/kg/dia, falta de apetite, vômito, diarréia ou ficar apático, indiferente. A posologia inicial do mitotano é então suspendida e o cachorro é colocado na terapia de manutenção. 

Terapia de manutenção: Mitotano é administrado na dose de 50mg/kg/semana, com a comida. Caso aconteça sinais de fraqueza profunda, uma nova avaliação deverá ser efetuada e possivelmente ocorrerá a diminuição da dose de manutenção. 

Cães sob o tratamento devem ser reexaminados em 6 a 8 semanas após o início do tratamento. Melhoras significativas devem ser notadas nesse período: ingestão reduzida de água, urinar com menos frequência e apetite controlado. A força muscular e tolerância ao exercício costumam melhorar nas primeiras 3-4 semanas. A qualidade da pelagem e pele demoram mais tempo e o progresso é variável. É normal a pele e alopecia piorarem antes de melhorar.

Avaliações posteriores, a cada 3-6 meses, são recomendadas pelo resto da vida do paciente. Recaídas e superdosagens são comuns de ocorrerem e o teste de estimulação de ACTH é indicado. 

O tempo médio de sobrevida é de 30 meses, mas há relatos na literatura de poucos dias à sete anos.

Outras opções terapêuticas para o hiperadrenocorticismo hipófise dependente:

a) L-deprenil (selegilina):
Inibe a secreção de ACTH por aumentar a ação dopaminérgica no eixo hipotálamo-hipófise. A eficácia do tratamento é muito variável, uma das vantagens do L-deprenil é a ausência de efeitos adversos severos, por exemplo, hipoadrenocorticismo iatrogênico. O tratamento é iniciado com 1mg/kg/dia, se em dois meses não houver uma resposta adequada, a dose pode ser aumentada para 2mg/kg/dia. Após esse aumento de dosagem, não houver boa resposta, deverá ser empregado outro tratamento. Aproximadamente 50% dos cães tratados falham em responder adequadamente a esse tratamento. 

b) Cetoconazol: Possui um efeito inibidor reversível na síntese de glicocorticóides ao passo que produz mínimos efeitos na produção dos mineralocorticóides. Um terço ou a metade dos pacientes falham em responder de forma satisfatória ao tratamento. A dose incial recomendada é de 10mg/kg a cada 12 horas por 14 dias. A eficácia dos 14 primeiros dias de tratamento é avaliada pelo teste de estimulação com ACTH.

c) Adrenalectomia bilateral: foi empregada com sucesso mas envolve o risco de operar um paciente com o sistema imunológico comprometido e com a cicatrização prejudicada. Atualmente, a adrenalectomia bilateral parece ser o meio mais sucedido de se tratar o hiperadrenocorticismo felino. Pacientes tratados com essa manobra, necessitam de tratamento para hipoadrenocorticismo pelo resto da vida. 

d) Hipofisectomia: já foi utilizada com sucesso em cães, mas a cirurgia é tecnicamente difícil.




Semana que vem postarei a última parte sobre o tratamento para o hiperadrenocorticismo adrenal dependente :) . 


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