terça-feira, 20 de dezembro de 2011

FELIZ NATAL E BOAS FESTAS!!!

VENHO DESEJAR UM FELIZ NATAL PARA OS COLEGAS DE PROFISSÃO E AOS AMANTES EM GERAL DOS ANIMAIS DE COMPANHIA, UM 2012 REPLETO DE CONQUISTAS, VITÓRIAS, SAÚDE, SUCESSO E HARMONIA. NOVAS POSTAGENS SOMENTE EM JANEIRO. FELICIDADES A TODOS :)       PARA FECHAR 2011, VAI UM VÍDEO DA ORQUESTRA CANINA "CANTANDO" JINGLE BELLS! RSRS.  


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Tosse em felinos.

Vídeo curto mas com informações valiosas. 



Dr. Alexandre G. T. Daniel ; Médico veterinário, mestre em clínica médica, especializado em medicina felina e prof da Universidade Metodista de SP. 



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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Breve relato de caso sobre uma criança diagnosticada com paralisia pela picada do carrapato

Primeiramente gostaria de agradecer ao colega Dr. Carlos Eduardo Vaz, CRMV/RJ 6917, pelo envio das fotos coloridas do artigo sobre Lynxacariose postado em 08/06/11. Muito obrigado! 

Bem, apesar do relato a seguir ser sobre medicina humana, achei-o muito interessante devido ao envolvimento do vetor carrapato e como o caso foi conduzido pelos pediatras. O texto original está em inglês, quem quiser ler, favor encaminhar o pedido de envio por e-mail. 

A paralisia causada pela picada do carrapato é uma síndrome neurológica frequentemente confundida com outras desordens agudas. Ela é caracterizada pela paralisia ascendente causada por potente neurotoxina produzida pelo carrapato.  A pronta remoção do carrapato leva à melhora do quadro clínico. 

RELATO DE CASO: 

Uma menina de seis anos de idade, sem histórico de doenças anteriores, relatou sensação de formigamento nos dedos e seis horas após começou a cambalear e cair. No dia seguinte, ela não conseguia andar sem ajuda. Trinta horas após o início dos sintomas ela foi levada ao hospital da faculdade de medicina da Georgia. 

Durante o exame inicial, a criança estava alerta, sem febre, andar atáxico e com instabilidade no tronco. Numa escala de 0 a 5, onde 5 correspondia a completa força muscular, ela apresentava a graduação de 4 nos braços e pernas. Os reflexos dos músculos extensores estavam diminuídos no joelho esquerdo e normais nas outras partes testadas. 

Os pares de nervos cranianos e o tônus do esfíncter retal estavam preservados. Radiografias torácicas e exames laboratoriais de rotina não apresentaram anormalidades, assim como a cultura fecal e os testes toxicológicos. 

Os diagnósticos diferenciais foram: ataxia cerebelar aguda, compressão de medula espinhal cervical e síndrome de Guillain-Barré (em rápida pesquisa li que polirradiculoneurite corresponde à outra nomenclatura da síndrome, é uma doença desmielinizante). 

Imagens de ressonância magnética da cabeça e coluna cervical não mostraram alterações, a análise do líquido cérebro-espinhal revelou 29mg/dl de proteína, 71mg/dl de glicose e contagem de 2 linfócitos por milímetro cúbico. A coloração de Gram e a cultura do líquido também resultaram normais. 

Este parágrafo cita termos médicos que atrapalham a tradução literal. Vai o que foi entendido: A condução nervosa do nervo ulnar estava com o tempo prolongado, 6msecs (valor normal < 2.5msecs). 

Após 48 horas de iniciados os sintomas clínicos, a criança tornou-se letárgica, a fraqueza simétrica das pernas piorou e a graduação de força muscular foi para 3 na escala de 0 a 5. Os movimentos finos, delicados dos dedos ficaram prejudicados e os reflexos dos músculos extensores dos joelhos e calcanhares estavam ausentes. 

Devido à paralisia ascendente e hipoventilação, a criança foi transferida para a unidade de terapia intensiva para monitoramento e a possibilidade de ser intubada. O consenso médico era de que a criança possuía a síndrome de Guillain-Barré.  

Completadas 72 horas do estabelecimento da doença, a força motora dos braços e pernas caiu para 2 na escala de 0 a 5, foram observadas indiferença aos estímulos externos, fala arrastada e ptose palpebral bilateral. Em razão da rápida evolução dos sintomas, a criança foi encaminhada para o preparo de acesso venoso femoral para plasmaferese de emergência. 

Durante a fixação do catéter central, um astuto residente ( originalmente está escrito "astute" rsrs, não irei trocar por sinônimos..rs) da pediatria alertou que a síndrome de Guillain-Barré pode ser confundida com paralisia pela picada do carrapato. Com o auxílio de um pente fino foi achado um carrapato de 15mm de diâmetro aderido ao couro cabeludo da paciente. Foi removido com pinças e identificado como uma fêmea de Dermacentor variabilis. 


Aproximadamente seis horas após da remoção do carrapato, os sinais de letargia, fala arrastada e ptose palpebral regrediram. Em oito horas a força dos braços evoluíram para a graduação 4 da escala de 0 a 5 e ela conseguia elevar os braços acima da cabeça. Com 12 horas ela mantinha-se sentada sem ajuda e elevava as suas pernas contra resistência moderada.  A ausência dos reflexos dos músculos extensores persistiu até 17 horas da remoção do carrapato. Finalmente ela andava sem ajuda após 24 horas. 


Ela recebeu alta hospitalar após 32 horas da remoção do carrapato. 

Muito legal esse artigo, um pente fino desvendou todo o quebra-cabeça rsrs. Só a medicina humana e a veterinária proporcionam essas coisas :-)  

A parte de discussão do artigo faz menção sobre poliomielite, botulismo, miastenia gravis, síndrome de Guillain-Barré, intoxicação por metais pesados, envenenamento por inseticida, desequilíbrios eletrolíticos, inalação de solvente e lesão medular. E o residente achou o carrapato vilão, rsrs. 

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ICHAEL 

W. F

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, M.D., C
ARRIE 
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AVIS 
S
MITH 
, M.D., 
AND 
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HOMAS 
R. S
WIFT 
, M.D.



From the Departments of Family Medicine (M.W.F.), Pediatrics (C.D.S.), and Neurology (T.R.S.), Medical College of Georgia, Augusta. Address reprint requests to Dr. Felz at the Department of Family Medicine, Medical College of Georgia, HB 4032, Augusta, GA 30912, or at mfelz@mail.mcg.edu.












quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

APLICAÇÃO DA ACUPUNTURA E MOXABUSTÃO NO CÂNCER EM PEQUENOS ANIMAIS

Application of Acupuncture and Moxibustion for Small Animal Cancer
Keum Hwa Choi, DVM, PhD, CVA, OMD, LAC

Complementary & Alternative Medicine, Department of Veterinary Clinical Sciences, Veterinary Medical Center, College of Veterinary Medicine, University of Minnesota, MN, USA

36th World Congress in Jeju, Korea.


Como o texto original está em inglês, a Dra Lena Safatle Ferrati, colaborou com a tradução. 

ST36 = STomach = estômago = E36
GV = VG (Vaso Governador)
SP = baço-pâncreas = BP
CV = VC (Vaso Concepção)
LI = Intestino Grosso = IG

  •    LENA SAFATLE FERRARI –CRMV/DF 1650
  • Graduada em Medicina Veterinária pela UPIS – Brasília/DF
  • Pós-graduação em Clínica Cirúrgica de Pequenos Animais (Qualittas – Brasília/DF)
  • Pós-graduação em Acupuntura Veterinária (UPIS – Brasília / DF)
    Caanes Acupuntura Veterinária
    SCLN 408 - Bloco E - Loja 32 contato@caanes.com.br ; 
    (61) 3340-5959



A acupuntura tem sido implementada para aliviar sinais clínicos ou efeitos adversos gerados pela terapia convencional, incluindo dor, vômito, náusea ou anorexia.

A eletro-acupuntura também demonstrou ser benéfica nos casos de vômitos agudos devidos à quimioterapia e para controlar dor.

Zhang et al relataram que a eletro-acupuntura atenua a hiperalgesia associada ao câncer em ratos, em parte pela inibição da interleucina IL-1β na medula espinhal. A acupuntura pode ativar funções imunológicas por meio do aumento na quantidade de células sanguíneas e da melhor atividade linfocítica e das células natural-killer.

O tratamento com acupuntura realizado no Centro Médico Veterinário da Universidade de Minnesota é realizado para suavizar ou aliviar a dor, o desconforto gastrointestinal e a neutropenia. Logo que o tratamento convencional (quimioterapia, cirurgia ou radioterapia) é terminado, sessões adicionais de acupuntura não são realizadas. Moxabustão também tem sido usada para o alívio do desconforto gastrointestinal ou dor.

1.     *  O efeito da acupuntura para o desconforto gastrointestinal: O tratamento de acupuntura nos pontos ST 36, PC6 e LI11 é realizado, no mínimo, duas horas antes da quimioterapia.  Estudos retrospectivos mostraram que pacientes submetidos à acupuntura tiveram menos diarréia, vômitos e anorexia causada pela quimioterapia.

2.    *  O efeito da acupuntura para a neutropenia: O tratamento de acupuntura nos pontos ST36, SP6 e GV4 tem sido aplicado uma ou duas vezes por semana em cães com neutropenia causada pela quimioterapia.

3.     *  O efeito da acupuntura para a dor: Os pontos selecionados incluem geralmente LI4 e SP21.

4.     * A aplicação de moxabustão em pacientes com câncer: Moxabustão indireta foi aplicada nos locais de câncer medular espinhal , tireoidiano, osteossarcoma e câncer de pele. Ela também foi aplicada nos pontos ST36, SP6 e CV12 nos pacientes com deficiência de Qi e Yang.

As ilustrações não fazem parte do artigo original. 





Referências: 

1.  Carneiro ER, Xavier RA, De Castro MA, et al. Electroacupuncture promotes a decrease in inflammatory response associated with Th1/Th2 cytokines, nitric oxide and leukotriene B4 modulation in experimental asthma. Cytokine 2010;50(3):335–340.
2.  Cho JH, Jung HH. Manual acupuncture improved quality of life in cancer patients with radiation-induced xerostomia. J Alternat Compl Med 2008;14:523–526.
3.  Ernst E, Lee MS. Acupuncture for palliative and supportive cancer care: a systematic review of systematic reviews. J Pain Sympt Manag 2010;40(1):e3–5.
4.  Ezzo J, Vickers A, Richardson MA, et al. Acupuncture-point stimulation for chemotherapy-induced nausea and vomiting. J Clin Onco. 2005;23:7188–7198.
5.  Ezzo JM, Richardson MA, Vickers A, et al. Acupuncture-point stimulation for chemotherapy-induced nausea or vomiting. Cochrane Database Syst Rev 2006;(2):CD002285.
6.  Jedel E. Acupuncture in xerostomia - a systematic review. J Oral Rehabil 2005;32:392–396.
7.  Kim HW, Roh DH, Yoon SY, et al. The anti-inflammatory effects of low- and high-frequency electroacupuncture are mediated by peripheral opioids in a mouse air pouch inflammation model. J Alt Complement Med. 2006.;2(1):39–44.
8.  Lai M, Wang SM, Zhang WL, et al. Effects of electroacupuncture on tumor growth and immune function in the Walker-256 model rat. Zhongguo Zhen Jiu2008;28(8):607–609.
9.  Lee MS, Choi TY, Park JE, et al. Moxibustion for cancer care: a systemic review and meta-analysis. BMC Cancer 2010;7(10):130.
10. Lee H, Schmidt K, Ernst E. Acupuncture for the relief of cancer-related pain - a systematic review. Eur J Pain. 2005;437–444.
11. Lu BW, Hu D, Dean-Clower E, et al. Acupuncture for chemotherapy-induced leukopenia: exploratory meta-analysis of randomized controlled trials. J Soc Integr Oncol2007;5:1–10.
12. O-Sullivan EM, Higginson IJ. Clinical effectiveness and safety of acupuncture in the treatment of irradiation-induced xerostomia in patients with head and neck cancer: a systematic review. Acupunct Med 2010;28(4):191–199.
13. Paley CA, Johnson MI, Tashani OA, et al. Acupuncture for cancer pain in adults. Cochrane Database Syst Rev 2011;19:(1):CD007753.
14. Pei J, Wei H, Liu ZD, et al. Effects of moxibustion on the expression of IL-1 beta, IL-2, IL-6 mRNA and protein in the cerebral cortex in tumor-bearing mice. Zhen Ci Yan Jiu 2010;35(4):243–249.
15. Vickers AJ, Cronin AM, Maschino AC, et al. Individual patient data meta-analysis of acupuncture for chronic pain: protocol of the Acupuncture Trialists' Collaboration.Trials 2010;28(11):90.
16. Wang WJ, Lu J, Niu CS, et al. Moxibustion for cancer care: a systematic review and meta-analysis. BMC cancer 2010;7(10):130.
17. Zhang RX, Li A, Liu B, et al. Electroacupuncture attenuates bone cancer pain and inhibits spinal interleukin-1 beta expression in a rat model. Anesth Analg2007;105(5):1482–1488.
18. Zhao ZQ. Neural mechanism underlying acupuncture analgesia. Prog Neurobiol 2008;84:355–375.